Ergonomia e computadores

 

Trabalha com computadores? E no final do dia de trabalho sente um ligeiro desconforto na mão, pulso, braço ou ombro? Ou então, costuma acordar com as mãos ou braços dormentes? Pois bem, estes podem ser os sintomas iniciais de uma lesão por esforço repetitivo.

Na Wikipedia pode ler-se que “Lesão por Esforço Repetitivo ou LER (em inglês Repetitive Strain Injury) são lesões nos sistemas músculo-esquelético e nervoso causadas por tarefas repetitivas, esforços vigorosos, vibrações, compressão mecânica (pressionando contra superfícies duras) ou posições desagradáveis por longos períodos. É um tipo de Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (DORT)….”

Estas lesões têm tipicamente tratamento, mas o objetivo deste artigo não é falar sobre a cura mas sim prevenção, ou seja, o que podemos fazer como utilizadores de computadores para evitar lesões.

 

Ergonomia!

Ergonomia é uma das primeiras medidas que se deve tomar com vista a prevenção de LER, ou seja, procurar adaptar o trabalho e/ou os objetos que nos rodeiam, ao nosso corpo por forma a exigir menos dele e/ou o a torna-lo mais eficiente.

Ergonomia é um termo lato que engloba um conjunto de atividades que tendem a adaptar o trabalho ao Homem. De uma perspetiva mais formal, pode ser entendida como o domínio científico e tecnológico interdisciplinar que se ocupa da otimização das condições de trabalho visando de forma integrada, a saúde e o bem estar do trabalhador e o aumento da produtividade.

Para um info-trabalhador os objetos (informáticos) mais comuns e mais relevantes do ponto de vista de impacto são o rato e o teclado. Estes dois dispositivos de entradas são, tipicamente, pouco ou nada ergonómicos, o que significa que o seu manuseio prejudica o nosso corpo, o nosso desempenho e por consequência a nossa saúde.

No caso do teclado, são tipicamente cometidas as seguintes “asneiras”:

  • Pronação, ou seja, voltar as palmas das mãos para baixo
  • Desvio ulnar, ou seja, rotação das mãos em direção ao dedo mindinho
  • Flexão do pulso, ou seja, dobrar a zona do pulso por forma a manter as mãos elevadas
  • Usar um teclado destro quando se é esquerdino

 

Imagem que mostra que não se deve fletir o pulso.

 

No caso do rato, as asneiras mais comuns são:

  • Pronação, ou seja, voltar as palmas das mãos para baixo
  • Flexão do pulso, ou seja, dobrar a zona do pulso por forma a manter as mãos elevadas
  • Manter os dedos indicador e médio numa posição suspensa (tipicamente para não clicar sem querer)
  • Pressionar e arrastar o pulso através de um superfície dura
  • Ter de estender o braço para se conseguir alcançar o rato
  • Ter de exercer uma força constante para agarrar o rato
  • Usar um rato menor que a mão
  • Usar um rato destro quando se é esquerdino

 

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Imagem que mostra a zona de impacto de um rato tradicional

 

Através do uso de teclados e ratos “normais” é impossível corrigir estas “asneiras” pelo que a única solução é usar equipamentos pensados do ponto de vista ergonómicos que sejam mais favoráveis ao nosso corpo.

Mas atenção! Existem equipamentos que se dizer ser ergonómicos que não passam de pura banha da cobra, isto é, baseiam-se em simples palpites ou em mitos urbanos. Por isso, antes de os adquirirem, devem tentar determinar qual foi o estudo científico usado para chegar aquela conclusão e ler o estudo (pelo menos o resumo). Só assim é podemos ter a certeza que estamos a melhorar a condição física.

Os equipamentos verdadeiramente ergonómicos e baseados em factos científicos são mais caros do que os seus congéneres normais, mas se tivermos em conta os custos do tratamento de uma lesão por esforço repetitivo, verificamos que o custo dos mesmos é insignificante.

As doenças inflamatórias causadas por esforços repetitivos já eram conhecidas desde a antiguidade sob outros nomes, como por exemplo, na idade velha, “Doença do Quibes”, que nada mais era que uma tenossinovite.

Algumas das maleitas mais comuns derivadas deste tipo de lesões são:

  • Sinovite
  • Tenossinovite
  • Tendinite
  • Síndrome do Túnel Carpal

 

É importante não esquecer que os seguintes factores são também importantes na prevenção das lesões:

  • Conhecer a cadeira para perceber que tipos de ajuste são possíveis efetuar;
  • Ajustar a altura do suporte da cadeira por forma a ter as costas apoiadas;
  • Os cotovelos devem ficar à mesma altura do tampo da mesa;
  • Alinhar o corpo com o eixo da cadeira, isto é, não sentar torto;
  • A parte de cima do monitor deve ficar alinhada com a altura dos olhos;
  • Colocar o computador de lado para as janelas ou então fechar as cortinas/persianas por forma a reduzir a incidência de luz direta no monitor;
  • Colocar o rato o mais próximo do teclado;
  • Não torcer o corpo enquanto se interage com o computador;
  • O teclado deve estar junto do corpo;
  • Por cada hora de trabalho deve fazer-se uma pequena pausa para aliviar os membros superiores, exercitar os membros inferiores e relaxar os olhos observando objetos a diferentes distâncias;

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Imagem resumo do correto posicionamento

 

Este artigo não pretende substituir qualquer recomendação médica, pelo que, na eventualidade de sentir algum dos sintomas mencionados, deverá procurar ajuda especializada, como por exemplo, consultar o médico de trabalho.

 

 

Recursos adicionais:

Lesões de Esforço Repetitivo:

http://www.lifeclinic.pt/pt-PT/noticias/lesoes_de_esforco_repetitivo__ler_.aspx

http://pt.wikipedia.org/wiki/Les%C3%A3o_por_esfor%C3%A7o_repetitivo

Síndrome do Túnel Carpal:

http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_do_t%C3%BAnel_carpal

Informática Saudável com a Microsoft (informações em inglês):

http://www.microsoft.com/hardware/pt-pt/support/ergonomic-comfort

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3 thoughts on “Ergonomia e computadores

  1. Rames Mattar – L.E.R. (lesões por esforço por repetição) envolve mecanismos de agressão que incluem desde esforços de repetição até outros mecanismos relacionados a algumas atividades de trabalho como vibração e postura inadequada, ocasionando em nosso corpo uma série de problemas que poderiam ser evitados. A grande confusão, porém, está em considerar L.E.R. uma doença. Às vezes, o próprio paciente colabora para isso quando declara – “Sou portador de L.E.R.”.

  2. Pingback: Análise ao rato HandShoe Mouse « Jorge Moura

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